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Por Rodrigo Menegat – @RodrigoMenegat

            Escanteio cobrado, trave carimbada, defesa do goleiro, e Nilmar estufa os cordéis..Sorondo cabeceia e corre em direção à massa ensandecida. Giulliano surge entre a fumaça e num toque sutil põe a bola no fundo da rede argentina. Andrezinho e seus gols de falta, uma, duas, várias vezes.  A história recente do Inter parece condicionada à gols que insistem em surgir apenas nos minutos finais.

E o no último jogo não foi diferente: ainda que a partida contra o The Strongest, em La Paz, não fosse exatamente uma decisão, o gol de empate marcado por Gilberto, aos 43 minutos do segundo tempo, foi importantíssimo. Deu ao Colorado tranquilidade para os próximos confrontos e a temporária condição de líder do grupo.

3.640 m de altitude: muito se fala dos efeitos nocivos do rarefeito ar andino sobre atletas. Náusea, tontura, dor de cabeça. E, sobretudo, fadiga. No linguajar do futebol, “falta pulmão”. É muito difícil para qualquer equipe subir a cordilheira e encarar venezuelanos, equatorianos ou bolivianos em seus domínios. Ainda que muitas vezes a qualidade técnica dos times da região seja limitada, pode-se dizer que as montanhas jogam a seu favor.

O Inter sofreu para aguentar a altitude.

Foi o que aconteceu. Não aparentava se tratar de “onze contra onze”, para citar outro ditado comum no meio futebolístico. As camisas gualdinegras pareciam multiplicar-se, encurralando os gaúchos em seu campo. E a menor resistência do ar fazia com que os frequentes chutes de longa distância sempre fossem perigosíssimos. Muriel teve trabalho, foi o melhor em campo. Salvou o time vermelho de uma derrota estridente.

Mesmo com algumas boas chances perdidas, o Inter era subjugado em campo. E isso se confirmou com o gol do Tigre boliviano logo aos 26 segundos da etapa final. Os brasileiros não tinham fôlego. A bola não parava em seus pés, a perna parecia pesada na hora do passe. Dorival Júnior tentou mudar o panorama do confronto: colocou Bolatti, Jajá – que vinha de excepcional apresentação contra o Juventude no final de semana – e Gilberto na partida. Mas nada funcionava. O segundo gol auri-negro parecia próximo, provável.

Mas então a mística dos gols salvadores ressurgiu: Nei alçou para a área, Tinga desviou e a bola caiu nos pés de Gilberto. Em um primeiro momento, o atacante furou bisonhamente. Chutou o ar. Entretanto, os instantes derradeiros parecem adorar gols da Academia do Povo. A pelota, caprichosa, voltou para os pés do mesmo, que tocou no outro canto. Gol. O Inter empata, o Inter segue vivo. Vivíssimo.

Com gol chorado, Gilberto salvou o Inter nos últimos minutos

Um resultado negativo seria desastroso. Não apenas por complicar a tabela para os porto-alegrenses, mas por sepultar o bom clima que vem das duas goleadas seguidas nas partidas anteriores, e por somar-se à crise criada pelo caso Oscar – o jovem meia está envolvido em um imbróglio judicial com seu antigo clube, o São Paulo, e acabou cortado poucas horas antes da partida.

As circunstâncias do jogo, os efeitos vigorosos da altitude – Dagoberto, por exemplo, passou muito mal após ser substituído; Damião quase desabou nas escadas a caminho do vestiário –  e a ausência dos dois articuladores titulares, pois D’Alessandro segue no departamento médico, configuraram o empate num bom resultado. Mas a partida mais importante do clube no ano ainda está por vir. Dia 4 de Abril, aniversário de 103 anos do Inter, Inter e Santos se enfrentam no Beira-Rio. Vai sair faísca.

Imagens: Divulgação Sport Club Internacional

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