Por que a mídia não trata o futebol americano de forma correta?

Por Rodrigo de Souza – @guinhosouza

Só quero dar um recado antes de começar a falar bobagem no texto:

– O Focas Esporte Clube não aceitará nenhum tipo de comentário ofensivo aos escritores do blog ou que faça algum tipo de alusão desonrosa a qualquer time, seja do Brasil ou fora dele. Os comentários devem ser utilizados para discutir os assuntos postados ou para criticar o que foi dito pelos autores, desde que seja tudo de forma respeitosa. Aí você pergunta: ‘Rodrigo, por que você pode xingar nos seus textos e eu não posso xingar nos comentários?’. Simples, amigo: porque o blog é meu, não seu.

Hoje não tem entrevista com head coach, não tem matéria sobre jogo de futebol americano e não tem nenhuma biografia contando a história de nenhum time. O FA brasileiro está de férias, digamos. Não tem mais jogos oficiais, treinamentos (a não ser da seleção, claro), divulgação de resultados ou qualquer coisa do tipo.

Sendo assim eu também não precisaria escrever nada sobre o assunto – a não ser que fosse um balanço de 2011, retrospectiva ou essas coisas que tem todo ano. Mas lendo e assistindo algumas matérias da ‘grande mídia’ sobre o esporte em solo brasileiro, notei algumas questões que precisam ser mudadas rapidamente, caso o FA brasileiro realmente queira sair desse mundo ‘atleta-família-amigos’.

Chega a ser estranha – pra não dizer que é ridícula – a forma como os principais veículos de comunicação do país tratam o futebol americano do brasil. Dão a entender os jogos como uma grande festa, como se existisse só uma vez por ano, onde os amigos se encontram para brincar de futebol americano. Deixam de lado o caráter competitivo das partidas para mostrar o tamanho de alguns atletas, como se magros e pessoas mais fracas não tivessem vez no esporte. Sem contar o tão falado ‘vale-tudo’, onde acham que o futebol americano é simplesmente um monte de loucos se batendo de qualquer jeito para tentar machucar o adversário.

Antes de qualquer coisa é preciso deixar claro que um touchdown não é um gol. SIM, AMIGOS! UM TOUCHDOWN NÃO É UM GOL! Não é um gol pelo simples fato de um esporte ser futebol americano e outro ser ‘só futebol’. Assim como não dizem que uma cesta no basquete equivale a um gol, ou que um ponto no vôlei equivale a um gol, ou que uma ultrapassagem nos 100m rasos equivale a um gol, pronto… um touchdown também não equivale a um gol! Um touchdown é um touchdown e um gol é um gol. Deixemos de lado o futebol ao exibir e escrever matérias sobre FA. Um esporte é completamente diferente do outro, não há como compará-los.

A segunda ‘dica’, e creio que a mais importante delas, é que o futebol americano não é feito só de pancadas. Sempre ouço de amigos, até mesmo os mais próximos que não acompanham o esporte, que eu faço cobertura de um esporte muito violento, onde todos saem machucados. A mídia em geral tem o costume de passar ao público que o FA é uma modalidade violenta, principalmente quando decidem mostrar apenas jogadores de linha. Futebol americano não é vale-tudo! Quem acompanha o esporte a fundo e entende do assunto sabe que o FA é muito mais estratégia do que pancada. E a mídia deveria explorar mais isso! O fortalecimento de um esporte depende única e exclusivamente de como o público leigo o percebe, e dizer que um esporte ‘só serve para se machucar’ não o deixará crescer nunca. Esqueçamos as pancadas e lembremos mais das formações de ataque e defesa, das rotas, dos bloqueios, das jogadas. Creio que muita coisa será melhorada no FA se a mídia passar a ver o esporte com outros olhos.

Amigos jornalistas: parem de fazer matérias idiotas sobre futebol americano! Esses dias eu assisti uma reportagem explicando qual a sequência que os jogadores do Brasil colocam o equipamento. A quem interessa isso? O que isso muda? Eu não posso querer colocar a luva antes de por o shoulder? Sejamos mais sensatos! Se você ganha de seu editor um tempo no programa ou um espaço no jornal para falar sobre um esporte que não é tão conhecido no país, não perca esse tempo/espaço com idiotices! Divulgue resultado de jogos, faça entrevistas sobre jogadas com os atletas, enfim… ensine a quem não entende do assunto como se joga futebol americano!

Uma coisa que me deixou muito (mais) bravo com a programação esportiva da Globo foi a forma como eles cobriram a final do Torneio Touchdown de 2011. Não entrarei aqui na discussão se ele é ou não o campeonato brasileiro de FA, disso quem entende é a AFAB e os principais nomes do esporte no país. O que eu quero mostrar é a falta de respeito que a reportagem teve com o jogador Paulinho, wide receiver número 89 do Corinthians Steamrollers. Como muitos já sabem, o atleta marcou 3 TDs na vitória contra o Vila Velha Tritões e, como é de costume da emissora, teve a oportunidade de pedir uma música no Globo Esporte. O WR pediu a música “Se quiser”, dizendo que ela havia o inspirado muito em 2011. Confesso que quando vi a reportagem, pensei: “o que essa música tem de inspiração? É uma música romântica, não vejo nada que possa inspirar alguém nela”. Comentei o assunto no Twitter e algumas pessoas concordaram comigo, mas logo ele foi deixado de lado. O fato é que, na verdade, a música que o jogador pediu não foi a que a Rede Globo levou ao ar. O que aconteceu é que a Globo editou a entrevista e cortou o momento em que o jogador disse o nome da banda “Project46”. Ao invés de “Project46” o que tocou foi “Tânia Mara”. Uma grande falta de respeito com Paulo César, o Paulinho.

O atleta se manifestou no Facebook logo em seguida.

Atitude ridícula de uma emissora ridícula. Não posso fazer nada quanto a isso, mas peço pelo menos que a mídia respeite os jogadores assim como respeitam qualquer entrevistado.

Enfim, são inúmeras situações onde a mídia ‘distorce’ o futebol americano, não é meu dever ficar citando cada uma delas aqui. Jornalistas de verdade sabem como devem agir, pois ganharam instruções nas universidades ou dentro das próprias redações. Ridicularizar um esporte, sendo ele conhecido ou não, é uma forma de atrasá-lo em relação aos outros. Não digo que algum dia o futebol americano no Brasil será algo totalmente profissionalizado e concreto (até acho que isso nunca irá acontecer, devido à cultura brasileira). A única certeza é que, se a grande mídia não colaborar ao redigir matérias, ele continuará sendo minúsculo.

Imagens: Eder Traskini e divulgação

About Rodrigo de Souza

Imparcialidade não é aqui, chefe.

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