Hegemonia estadual

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O xodó da torcida Léo, que se tornou recordista em títulos após a era Pelé, e Muricy, que ainda invicto a frente do peixe, já pode comemorar seu primeiro título na baixada.

“Um dia feliz, às vezes é muito raro”, esse trecho da música “Fácil”, da banda Jota Quest, com certeza não reflete a vida atual do torcedor santista. Pela quarta vez em seis anos o peixe é campeão paulista. Foi o 19º estadual santista e o sexto bicampeonato, ninguém foi mais vezes bi-campeão que o alvinegro praiano.

O título de 2011 veio em cima do maior rival, o Corinthians, em vingança ao vice-campeonato de dois anos atrás. Foi o primeiro estadual conquistado na Vila Belmiro, nesse modelo de campeonato (mata-mata). A final, a propósito, foi um jogo de um time só. O Santos não deixou o Corinthians sair com a bola dominada, a bola chegava queimando nos pés dos jogadores de frente do time da capital. Com gols de Arouca e Neymar o peixe liquidou o jogo e deu um bico no tão comentado cansaço.

Crônica “Direto das Arquibancadas”:

Cheguei a Vila pela manhã. Não tinha ingresso em mãos e tinha esperança que acharia nas mãos de cambistas. Os ingressos tinham se esgotado muito rapidamente e desconfiava que acabariam nas mãos dos infelizes. E estava realmente correto. Havia vários ingressos mas o preço não era animador: 400 reais por uma arquibancada.

Eu tinha o referido dinheiro mas precisava de dois ingressos por esse valor. Era desanimador. As horas foram passando e o pensamento era que quanto mais perto do horário da partida mais barato o ingresso ia ficar, se sobrasse…se sobrasse, esse era meu maior medo. Por mais que 200 reais eu sabia que não poderia entrar.

A tranqüilidade me ocorreu quando soube que mesmo por esse preço entraria, nem que fosse sozinho. O relógio já marcava 15:30 e o desespero me subiu a cabeça. O cambista tinha abaixado para 250 o valor e convenci meu pai a entrar também. O serviço era sigiloso, fui mandado esperar próximo a uma árvore. Esperei um certo tempo e nada aconteceu, nessa hora outro cambista passou por ali oferecendo ingresso e abordei ele questionando. Ele disse que queria 200, perguntei qual setor e ele respondeu cadeiras. Desconfiei mas ele disse que “era firmeza” e me acompanhou até o portão de entrada, entrei e só depois paguei.

Quando subi para as cadeiras, que ficavam acima do setor Visa, meus olhos brilharam em lágrimas, lagrimas essas que eu sabia que iriam escorrer mais cedo ou mais tarde. Era dali que veria o jogo? Era o melhor lugar do estádio, coberto, com um ângulo de visão bastante formidável. Confesso que cometi a besteira de levar comigo uma máquina fotográfica, pois não consegui tirar nenhuma foto após o apito inicial. Não tentei é verdade, mas não tinha condições, todas sairiam tremidas.

Se os gols do seu time quase nunca estão impedidos, quando se está no estádio isso nunca ocorrerá. Portanto me alterei xingando a bandeira que impediu Zé Love de abrir o placar da final. Mas não adiantou. O mesmo Zé Love bateu para o meio da área, pois aquilo não foi cruzamento e nem chute, e Arouca completou para as redes. Gol que foi profetizado em sonho pelo volante dias antes da partida. 1×0 Santos.

Arouca e Neymar foram os destaques da final.

O primeiro gol de Arouca com a camisa do peixe fez aquelas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Não vi mais nada até a contusão de Jonathan, quando fui acordado de meu transe por uma ligação do também blogueiro do FocasEC, Amauri Ganso. Mal tinha conseguido gritar gol. Neymar ainda teve tempo de perder um gol feito, mas o dia que você ver a torcida do Santos xingar Neymar por um gol perdido as coisas estarão realmente feias.

O segundo tempo veio e mais uma vez comemorei em falso. Dessa vez era o gol de Alan Patrick que era anulado pelo bandeira, não sem os mesmos xingamentos que foram dirigidos à outra assistente na primeira etapa. Mas não teve jeito, Neymar aproveitou a falha do goleiro corintiano para marcar o gol que sacramentaria o título e fazer explodir a Vila Belmiro. Mais uma vez mal consegui gritar o gol e muito menos acompanhar o coro de “Bi-campeão” que veio após.

Se o gol de Morais não serviu para tirar o título do time de Vila Belmiro, serviu para esgotar minhas lágrimas. A torcida silenciou o grito de “Bi-campeão” mas não deixou de empurrar e vaiar o time da marginal, coisa que foi feita a exaustão durante todo o jogo transformando o estádio num verdadeiro alçapão.

Depois do apito final nada mais existia praqueles que estavam na Vila Belmiro. No meu caso a voz estava inclusa nisso. O grito de bi-campeão só saiu de minha boca já fora do estádio santista. Lá dentro apenas lágrimas encharcavam meu rosto, nada de fotos, nada de gritos, não tinha forças para fazer mais nada. Foi o primeiro título que vi do estádio e nada, repito nada, pode ser mais emocionante. Vai pra cima deles, Santos. O sentimento foi vingado e agora chegamos mais forte ainda na busca pelo tri da Libertadores da América.

Por Eder Traskini – @EderTraskini

Fotos: band.com.br / globoesporte.com

About Eder Traskini

Faço jornalismo na UEPG, como Mc'Donalds, tomo Coca-Cola, uso Nike e leio Veja. E não sou a favor do PT. Santista e amante de esportes.

One response »

  1. “…quando fui acordado de meu transe por uma ligação do também blogueiro do FocasEC, Amauri Ganso.”

    Liguei, maior confusão, pouco lhe ouvia. Falei do”cruzamento” do Zé Love e você comentou do gol do Arouca, a ligação estava ruim, olhei para a TV, o árbitro tinha acabado de marcar uma falta contra o Santos, apenas escutei você entoar os xingamentos contra o mesmo, me toquei e desliguei o telefone.

    Parabéns pelo título, e pela história que tem pra contar.

    Responder

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