Era um garoto…

Posted on

… e como tantos outros, buscava dentro da própria família o time à torcer. Família grande, muitas opções de time. Grêmio? Corinthians? Internacional? Palmeiras? Botafogo? Qual escolho? – refletia o garoto. Então ele decide-se por agradar seu avô e se torna um “parmerista”, a escolha também era lógica, pois o time acabara de ganhar a Libertadores da América de forma épica e ele achava que torcendo para aquele time verde teria alegrias por toda vida.

Doce ilusão, nem imaginava o quão difícil seria torcer por aquele time. Quando nem mesmo conhecia a regra do impedimento perfeitamente,  já via seu amor verde e branco sendo humilhado pelo inexpressivo Asa de Arapiraca em 2002 e no mesmo ano caindo para a 2ª divisão nacional.

A vida passava e o garoto continuava a ter esperanças com o time. Ele tinha a esperança de que os anos de ouro que via na infância iriam voltar. Ledo engano, eliminações para os pequenos Vitória  e Santo André castigavam ainda mais seu coração. Mas ele não se deixava abalar: sempre levantava a cabeça e esperava o próximo campeonato. Enfim o esperado campeonato chega em 2008. Era um Paulistão, mas para ele foi de grande valia, a alegria do garoto em ver seu time campeão era contagiante, parecia Mundial para ele. Não se importava com mais nada a não ser com o seu time levantando a taça.

Pobre garoto, os anos após o título paulista foram se passando e infelizmente ele já conhece a regra do impedimento, sabe quem joga bem ou não e sabe se a diretoria é ou não competente. Graças a esses fatores ele se torna exatamente o que avô era: um corneteiro.

Nessa nova era como palmeirense, paciência não está no seu dicionário e o amor pelo Palmeiras caminha lado a lado com o ódio, e o dia que esses dois sentimentos “se deram as mãos” acontece em  5 de maio de 2011. Neste fatídico dia, com lágrimas nos olhos, ele jura nunca mais sofrer com aquele time. Ele pensa como seria bom não precisar apoiar Marcio Araujo, Luan, Rivaldo, Leandro Amaro, Patrick, idealiza torcer para um time que não envergonhe seus torcedores. Mas ele simplesmente não consegue, ele sabe que não pode trair algo que está em seu sangue, no seu DNA. Então, por mais uma vez, levanta a cabeça, olha para a frente e não ve perspectivas de títulos, ídolos e craques. Vê apenas a imagem do seu avô contando a história de como o time pelo qual os dois torcem já foi o maior desse país.

O garoto quando não sabia o que era impedimento mas era feliz

Por Raphael Gierez – @RaphaelGM

About @justphael

Aspirante a jornalista, brisado por natureza, pseudo-hardcore, iludido e corneiteiro, THAT'S ME.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: